O artigo de opinião é uma maneira democrática de um jornalista ou colaborador (não se restringindo, portanto, à instituição jornalística) expressar-se verbal e explicitamente por meio de uma mídia impressa. Para tanto, apresenta e articula idéias e opiniões a respeito de um determinado tema, tendo seu autor liberdade temática, verbal e de juízo de valor.
O artigo de opinião restringe-se à imprensa, não estando contido no meio radiofônico e televisivo. Isso ocorre, pois ele é um gênero em que se utiliza, sobretudo, forte argumentação. Devido à sua profundidade analítica, é necessária uma reflexão por parte do leitor, que demanda, geralmente, a retomada de aspectos já abordados pelo autor. Os meios audiovisuais não possibilitam tal retomada.
(Texto escrito com base no livro “Jornalismo Opinativo – Gêneros opinativos no jornalismo brasileiro”, de José Marques de Melo.)
Encontram-se, a seguir, alguns exemplos de artigo de opinião.
A censura ao humor e o Photoshop da vida real
Ruth de Aquino
Se os humoristas chamassem José Serra de “Zé” e o infiltrassem com aquele sorriso congelado no meio de uma favela cenográfica e tosca, seriam acusados de ridicularizar o tucano. Mas, como a cena insólita aconteceu no programa do PSDB, ninguém processou o marqueteiro. Se o CQC e o Casseta & planeta exibissem o cão de José Dirceu como melhor amigo de Dilma Rousseff, poderiam ser multados por tentar associá-la ao ex-chefe do mensalão, como se a petista fosse herdeira não só do labrador Nego, mas de um período sinistro do PT.
Após a estreia dos programas eleitorais, entre eles a abertura do “Discovery Marina Channel”, com a candidata verde estrelando uma peça futurista de efeitos especiais, finalmente deu para entender por que o humor político e sério foi amordaçado nesta eleição. Porque colocaria o dedo na ferida. Os programas dos candidatos são tão fictícios que a realidade sumiu. Tudo ficou de repente bom, reconfortante, para quem acredita nos seriados e nas novelas.
“O Brasil é um país exótico mesmo. Os políticos fazem humor e os humoristas fazem passeata”, diz Marcelo Tas, do CQC, um dos atingidos por esse entulho da ditadura do Tribunal Superior Eleitoral – que interpreta a sátira política como ameaça à democracia. “Olha só”, afirma Tas com ironia, “estamos esperneando, mas nosso plano é absolutamente estúpido: uma passeata de protesto neste domingo em Copacabana!”
Tas, Marcelo Madureira e Helio de la Peña foram procurados pela CNN e pela BBC de Londres. “Os cidadãos dessas democracias têm muita dificuldade de entender”, diz Tas. “Um político que tem medo do ridículo não pode ser candidato a presidente. O humor humaniza o candidato, o aproxima do eleitor. Nós apostamos no erro, na casca de banana, no nariz torto. Quando se tira o erro, apaga-se o humano. Nossos candidatos se escondem deles mesmos.” Políticos como Barack Obama e Nicolas Sarkozy muitas vezes se beneficiaram das caricaturas inteligentes e ácidas dos humoristas – volta e meia, subiam nas pesquisas logo após a transmissão dos programas.
Após a estreia do ridículo horário eleitoral, deu para entender por que o humor político foi amordaçado.
Assistimos à campanha mais “photoshopada” e engessada da história brasileira. Tudo tem de ficar bonito, sorridente, raso, sem erro. O país está anestesiado, entorpecido. Não é só o humor que está em xeque, sob censura. Quem faz o papel de palhaço somos nós, os eleitores.
A rigidez dos cronômetros e a ditadura dos marqueteiros transformam esta eleição numa das mais chatas, melosas e apelativas de todos os tempos. Serra, aliás Zé, toca comovido as pessoas, acaricia uma mulher que chora e mostra fotos suas ao lado de Lula. Dilma, a criatura, desfila de roupa de ginástica, lembra os anos do cárcere, mas não a luta armada, conta que um dia rasgou dinheiro para dar esmola a um menino e enaltece a maternidade. Marina diz uma verdade: querem infantilizar os brasileiros com essa história de pai e mãe. Somos vítimas de uma grande pegadinha, do Oiapoque ao Chuí.
A rigidez dos cronômetros e a ditadura dos marqueteiros transformam esta eleição numa das mais chatas, melosas e apelativas de todos os tempos. Serra, aliás Zé, toca comovido as pessoas, acaricia uma mulher que chora e mostra fotos suas ao lado de Lula. Dilma, a criatura, desfila de roupa de ginástica, lembra os anos do cárcere, mas não a luta armada, conta que um dia rasgou dinheiro para dar esmola a um menino e enaltece a maternidade. Marina diz uma verdade: querem infantilizar os brasileiros com essa história de pai e mãe. Somos vítimas de uma grande pegadinha, do Oiapoque ao Chuí.
Fora da tela, a vida real teima em existir. Algumas imagens de nosso abismo social estão na série do jornal O Globo “Como vive o brasileiro”. Trinta e sete milhões de brasileiros, toda semana, ficam sem dinheiro da passagem para voltar para casa após o trabalho e são obrigados a buscar abrigo nas ruas. Dormem até na calçada de hospitais. O déficit de habitação no país é de 5,8 milhões de lares. Quando a moradia é de zinco, tábuas velhas e pedaços de papelão, se sentem privilegiados. Comunidades vivem sobre lixões, correndo risco de morrer. Mais da metade das cidades não dá destino adequado ao lixo. Sete milhões de domicílios não têm sequer coleta de lixo. Quase metade das casas no Brasil não tem coleta de esgoto. Treze milhões de brasileiros vivem sem banheiro e convivem com ratos em casa e bichos mortos nos canais. Analfabetos funcionais chegam a 30% da população. Jovens não conseguem emprego.
Não se esqueça, o horário só é gratuito para os candidatos – você, contribuinte, é quem paga. Pode exigir, em contrapartida, um pouco mais de compromisso com a realidade. E que deixem o humor para quem sabe fazer.
Fonte: revistaepoca.globo.com
O povo contra os jornalistas
Dunga era o vilão nacional. Mas aí ele brigou com a Globo e virou herói. Por que todo mundo ficou do lado dele?
por Rafael Antonio
Todo mundo soube. Era o assunto na padaria, na corrida do táxi, nas mesas de bar. Durante a Copa do Mundo, o (então) técnico da seleção brasileira resolveu enfrentar a maior emissora de TV do país, que detém os direitos de transmissão dos jogos, fechando os treinos e proibindo entrevistas. Dunga e Globo entraram em um embate público. O treinador xingou um jornalista. A emissora usou seus programas para criticar o técnico. O público acabou escolhendo seu lado - e ficou com Dunga, que até então era um dos treinadores mais impopulares que a seleção já teve. No mesmo dia em que o Brasil jogou as quartas de final, logo depois da briga com a Globo, foi publicada uma pesquisa com o mais alto índice de aprovação do técnico: 69% dos brasileiros apoiavam o trabalho de Dunga - 20 pontos a mais do que quando ele convocou a seleção.
Mas por que a opinião pública preferiu ficar do lado do técnico controverso em vez do da emissora? Bem, porque poucas coisas despertam tanta desconfiança quanto a imprensa. Um levantamento da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, divulgado no fim de junho, mostra que apenas 18% dos brasileiros acreditam na mídia e que 72% creem muito pouco naquilo que é veiculado nos meios de comunicação. E é um sentimento mundial: nos EUA, uma pesquisa de 2007 da Universidade Sacred Heart, de Connecticut, mostra que só 24% dos entrevistados confiam nas informações veiculadas na mídia. A maioria dos americanos acredita apenas em algumas notícias. Mesmo nós, aqui da SUPER, constantemente recebemos cartas nos acusando de manipuladores, mentirosos ou tendenciosos.
O motivo para tanta raiva pode ser, bem, porque às vezes realmente a imprensa publica notícias um tanto... discutíveis. Exemplos não faltam. Apenas 3 dias depois da eliminação do Brasil da copa, diversos veículos publicavam manchetes na linha: "Apontado como um dos culpados pelo fracasso da seleção brasileira, o volante Felipe Melo pede para não ser responsabilizado". Quem disse que Felipe Melo foi mesmo o vilão? Ele foi expulso aos 28 minutos do 2º tempo, quando o jogo já estava 2 a 1 para a Holanda. Ele conseguiria reverter essa situação se não tivesse sido expulso?
São exemplos como esse que tornam difícil tirar a pulga de trás da orelha dos leitores - mesmo quando os jornalistas fazem tudo certo. Somos cada vez mais questionados. E, com 73 milhões de brasileiros na internet, ficou mais fácil os questionamentos encontrarem público. Fóruns de discussão, blogs de análise, leitores atentos: todo mundo agora consegue apontar o dedo para o que a imprensa tem feito de errado. "A internet coloca em diálogo pessoas que antes estavam confinadas na condição de receptoras", diz Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e ex-presidente da Radiobrás. E sim, quando essas pessoas se juntam, muitas vezes é para falar mal de nós.
A internet também deu aos leitores muito mais opção na hora de se informar. Para acontecimentos em qualquer canto do planeta, já é possível acessar um site local ou conversar com alguém que mora perto do que está acontecendo. Qualquer um pode virar distribuidor de informação. Um cálculo feito pela revista americana Seed mostra que, hoje em dia, 0,1% da população pode ser considerada produtor de conteúdo (escritores, blogueiros ou autores de twitters com mais de 100 seguidores, por exemplo). E esse número está aumentando 10 vezes ao ano. Em dois anos, calcula-se que teremos 10% da população produzindo informação. "Antes, os jornalistas tinham o monopólio da produção de conteúdo. Agora perderam isso", afirma Ricardo Noblat, colunista de O Globo e autor de um dos blogs de política mais acessados do país. Isso é bom para o leitor - mas também deixa a imprensa mais vulnerável a críticas ou informações imprecisas.
Com tanta gente produzindo informação, é natural também que mais pessoas se incomodem com o que está sendo veiculado: estamos pisando no calo de mais gente. "As pessoas perceberam que há um poder excessivo de construir ou destruir na comunicação. E todo poder gigantesco acaba questionado. O Dunga foi na contramão da Globo e incitou grande parte da opinião pública que questionava esse poder", diz Bob Fernandes, editor do Terra Magazine. E foi isso que o caso Dunga x Globo despertou: a possibilidade de se voltar contra o grande poder que a mídia tem.
Fonte: http://super.abril.com.br/cotidiano/povo-jornalistas-591652.shtml
Trabalho em equipe
Notícia bem dada é notícia cara
Por Cleyton Carlos Torres
A matemática do jornalismo é simples: notícia bem produzida, com qualidade editorial e produção profissional, leva tempo, capital humano e, principalmente, muito investimento financeiro.
Apesar de todos os confetes acerca do jornalismo colaborativo, toda a imprensa mundial, assim como seus respectivos públicos consumidores de informação, tem em mente que uma notícia bem formulada, apurada e bem distribuída tem por trás uma equipe (que já foi muito maior) de profissionais bem qualificados que têm por estrutura formular informações verídicas, de maneira frenética, abordando os mais diversos assuntos, com qualidade impecável e diferenciada.
São equipes formadas por membros das áreas mais diversas que integram, em um único sistema, uma linha de produção informativa que a maioria absoluta dos colaboradores espalhados pelo mundo não é capaz de produzir, mas é passível de interferir, palpitar ou opinar.
O que ocorre com a imprensa é o fato da não adaptabilidade aos novos "integrantes" de redação. Deve-se pautar e direcionar – muitas vezes – a informação com foco nesses públicos, mas jamais podemos assumir inocentemente que um determinado grupo independente de não jornalistas seja capaz de derrubar qualificados profissionais de comunicação, com o simples argumento de que a web 2.0 derrubou as barreiras existentes entre o mundo das grandes corporações comunicacionais e seus públicos. O jornalismo deve mudar, sim, mas nunca modificando seus critérios e padrões de qualidade.
Público deve ser tratado como aliado
Os grandes núcleos comunicacionais, apesar dos alardes catastróficos, ainda possuem importância ímpar para com a sociedade de um modo geral. Algumas das maiores "grifes jornalísticas" perderam seus mercados pelo simples fato de não se adaptarem aos novos públicos, focando apenas novas maneiras de receita, em vez de direcionar forças na estruturação de novos produtos, conteúdos e formatos.
Entretanto, quando o cidadão comum quer checar a veracidade de uma determinada informação, a quem ele recorre? Sim, aos grandes veículos de comunicação, demonstrando, de fato, que a mídia passa atualmente por enigmas constantes em relação ao seu futuro, mas tem intrínseca em sua imagem o conceito de credibilidade, conquistado depois de gerações de jornalistas e suas redações.
Ademais, esse público ativo deve ser tratado como um aliado na produção jornalística, que passa a ser mais dinâmica, customizada e customizável do que nunca. No fundo, o dia continua possuindo 24 horas. Mais uma vez estamos falando na busca por maneiras de conquistar o tempo e a atenção do público-alvo. É o jornalismo na sua mais bela essência: qualidade editorial com conteúdo exclusivo, somados a análises de sua própria existência.
Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=605IMQ013
“A opinião se manifesta explícita e permanentemente através da caricatura, cuja finalidade satírica ou humorística pressupõe a emissão de juízos de valor.” (MARQUES DE MELO, 2003, p. 163). A caricatura é, em suma, responsável por apontar excessos de cunho social ou político, geralmente suspeitos de corrupção. No sentido amplo, ela envolve subdivisões como: a caricatura propriamente dita, a charge, o cartoon e a comic.
Se isto apresenta essa peculiaridade de exprobrar certos personagens da vida pública, pode contribuir também para humanizá-los, popularizá-los. É através dos traços caricaturais que muitas personalidades do mundo ganharam legitimação pública, além de se destacarem socialmente – ainda que não de uma forma positiva.
Desta forma, torna-se óbvio que o espaço ideal para a caricatura é a imprensa, onde os traços e os perfis dos acontecimentos são captados de forma a produzir o efeito satírico ideal que motivou o trabalho do chargista.
Fonte: MELO, José Marques de. Jornalismo opinativo: gêneros opinativos no jornalismo brasileiro. São Paulo: Mantiqueira, 2003.
Exemplos de caricatura
A caricatura:
A introdução deste gênero na imprensa se deve por dois aspectos socioculturais: o avanço tecnológico dos processos de reprodução gráfica e a popularização do jornal como veículo de comunicação coletiva. A caricatura – ou charge – só pôde desenvolver-se depois que a litografia, técnica de gravura que envolve a criação de marcas (ou desenhos) sobre uma matriz (pedra calcária) com um lápis gorduroso, passou a constituir um recurso inteiramente incorporado à produção jornalística. O recurso da caricatura representou, também, uma necessidade social de um jornalismo que atendia à maior diversidade de público.
Tal vertente do jornalismo opinativo torna-se um instrumento decisivo para a mobilização do leitor e formação de opinião, uma vez que insere seu público no contexto que critica e é de fácil entendimento. A caricatura é, essencialmente, uma forma de crítica (contida ou não): sua origem semântica corresponde a “ridicularizar, satirizar, criticar”.
Se isto apresenta essa peculiaridade de exprobrar certos personagens da vida pública, pode contribuir também para humanizá-los, popularizá-los. É através dos traços caricaturais que muitas personalidades do mundo ganharam legitimação pública, além de se destacarem socialmente – ainda que não de uma forma positiva.
Algumas tentativas de caricaturas para o rádio e a televisão foram feitas, apesar de não prosperarem, uma vez que “Tais experiências resvalam para o mundo da fantasia, da imaginação, e buscam ancoragem na realidade simplesmente como fator motivacional para captar a atenção do ouvinte ou telespectador.” (MARQUES DE MELO, 2003, p. 172)
Desta forma, torna-se óbvio que o espaço ideal para a caricatura é a imprensa, onde os traços e os perfis dos acontecimentos são captados de forma a produzir o efeito satírico ideal que motivou o trabalho do chargista.
Fonte: MELO, José Marques de. Jornalismo opinativo: gêneros opinativos no jornalismo brasileiro. São Paulo: Mantiqueira, 2003.
Exemplos de caricatura
A caricatura:
A charge:
A comic:
E o cartoon:
Clarice Sousa, Renata Ferrari, Ronian Carvalho
MELO, J. M. de. Jornalismo opinativo: gêneros opinativos no jornalismo brasileiro. 3 ed. rev. e ampliada. Campos do Jordão: Mantiqueira, 2003, p. 101-182 (cap. IV).
Tipos de cartas
Em jornalismo, a carta, quando escrita pelo leitor, é “o último alento de muitos cidadãos que querem dizer alguma coisa aos seus contemporâneos, que querem influir nas decisões dos governantes, que querem participar dos destinos da sua sociedade” (p.177)
Um outro tipo é a carta ao leitor ou carta do editor. Escrita pelo editor, geralmente aparece em revistas e tem objetivo apresentar para os leitores as reportagens presentes ao longo da edição e como elas foram produzidas.
Por que as cartas são publicadas?
Normalmente o leitor não participa ativamente do processo de produção jornalística. Entretanto, alguns jornais procuram fazer com que o processo jornalístico deixe de ser majoritariamente informativo e se torne uma verdadeira prática comunicativa, caracterizada, assim, bidirecionalmente.
Um dos recursos para que isso ocorra é a adoção da carta, para que os leitores possam expressar seus pontos de vista, reivindicações, emoções e etc.
O que motiva o leitor a escrever uma carta?
Qualquer pessoa pode escrever uma carta a um meio de comunicação como forma de divulgar sua opinião a cerca de alguma matéria da qual discorda ou não do ponto de vista; ou por acreditar que a matéria tenha ofendido o seu modo de vida e as suas crenças.
Também há cartas para reclamar do poder público ou de problemas enfrentados pelas pessoas. Nestes casos, são cartas dos leitores.
E as cartas brasileiras?
Infelizmente, a imprensa brasileira não dá muita prioridade à publicação de cartas dos leitores. Geralmente, as opiniões dos leitores aparecem mais nas enquetes ou matérias pagas, mas no caso destas últimas, elas ainda são editadas e só é veiculado aquilo que interessa à empresa.
Nem todas as cartas recebidas por um jornal podem ser publicadas devido à falta de espaço. Por essa razão, elas passam por uma seleção para escolher quais serão veiculadas.
As cartas serão escolhidas de acordo com aquilo que o veículo de comunicação julgar mais interessante à política deste.
Autoridades: leitores cujas cartas procuram retificar informações e conceitos divulgados nos jornais.
Perfeccionistas: leitores que procuram corrigir todo e qualquer equívoco cometido pelo jornal.
Lesados: leitores que se sentiram prejudicados e que através da carta, denunciam os problemas que eles encontram na sociedade.
Anônimos: pessoas que, sem coragem de assumir posições na publicação de suas opiniões, utilizam variadas desculpas para ver suas cartas publicadas.
Exemplos de Cartas:
REVISTA GALILEU Fevereiro 2007 - Número 187
Home >> Carta ao Leitor
Nunca te vi, sempre te amei
Por Martha San Juan França
Diretora de Redação
Kiko e suas cartas
Todos os dias, centenas de mensagens de leitores
De todas as tarefas que fazem parte da rotina de redação de Galileu, a mais prazerosa certamente é ler as cartas dos leitores. Os fãs da revista são de fato especiais e suas cartas traduzem isso. São criativos, curiosos, observadores e não deixam passar nada. Fazem perguntas tão difíceis quanto imprevisíveis. Querem saber de tudo: do monstro do Lago Ness ao Projeto Genoma Humano. E não se contentam com respostas pela metade. Ler as dúvidas que aparecem nas cartas, os comentários sobre as reportagens passadas e as sugestões de futuras é gratificante para qualquer jornalista. Ainda mais para nós, jornalistas de Galileu, que adoramos um
bom desafio.
Felizmente, a revista conta com uma arma secreta para satisfazer tantas pessoas exigentes. Vou apresentá-la agora: Luiz Francisco Senne, nosso secretário de produção, professor de português, roqueiro, colecionador de discos de vinil e livros usados, e responsável pelo atendimento aos leitores. Kiko, como é muito mais conhecido, sabe também driblar as angústias dos nossos jovens amigos em apuros.
Muitos pedem ajuda a Galileu quando recebem dos professores uma tarefa complicada e não sabem a quem recorrer. Kiko responde delicada mas firmemente: não dá para fazer o trabalho escolar no lugar do aluno (é festa agora?). Mas simpatiza com o drama de leitores como este cuja mensagem é reproduzida acima: "Vocês não poderiam dar uma dica de como ir bem numa prova de física porque o meu cérebro está cansado?" Atendendo ao apelo levado aos repórteres por Kiko, Galileu oferece a seus leitores a matéria "Os cientistas alertam: não deveríamos existir", do editor Marcelo Ferroni. Ela mostra que a física pode ser criativa em vez de uma aula chata. Quer ver?
Foto: Kiko, Eliana Assumpção
Revista Superinteressante
De volta para o futuro - Carta do Editor por Sérgio Gwercman, redator-chefe
SUPER 257a, outubro 2008
Há poucas semanas, meu pai foi seduzido pela promoção de uma operadora de celulares e saiu da loja carregando um smartphone no bolso. Poucos dias depois, me ligou intrigado: "Para que serve esse tijolo que eu nem consigo colocar no modo silencioso?" E lá estava eu explicando que smartphone era um... telefone inteligente, capaz de fazer muito mais do que vibrar em vez de tocar. Ele recebe e-mails, mantém uma agenda de compromissos, tira fotos. Do mesmo jeito que meu pai não sabia o que fazer com o celular novo, a maioria das pessoas que eu conheço usa suas câmeras digitais como se fossem aquelas máquinas fotográficas descartáveis de papel: tiram foto e só. Elas tampouco sabem que o mp3 serve para muito mais do que ouvir música, que o videogame pode ser um computador melhor do que aquele que têm em casa. Os cínicos vão dizer que a culpa desse descompasso tecnológico é dos produtos: são sofisticados demais, têm funções demais. Os arrogantes culparão os usuários, incapazes de se modernizar. Eu acho que ninguém tem culpa de nada. O que acontece é que vivemos num tempo em que a tecnologia se reinventa tão rápido que só alguns poucos conseguem acompanhá-la. Parece que toda vez que nós, mortais, chegamos ao futuro dos eletrônicos, eles já estão muitos passos adiante. Foi para ajudar você a tirar o melhor desses aparelhos - e a se preparar para a próxima geração deles - que fizemos este especial. Há uma série de dicas com tudo que os gadgets têm a oferecer. Há um bloco com 10 tendências para o futuro. E há um guia de compras inteligente como você nunca viu. Para chegarmos lá, tivemos algumas colaborações sensacionais. Fernando Naigeborin e Camila Lisbôa comandaram a equipe de arte. Pedro Burgos e Gilberto Pavoni Júnior editaram os textos. Espero que vocês gostem do trabalho deles. E que este especial seja um marco na sua relação com os eletrônicos.
Um grande abraço.Cartas dos Leitores
Correspondência dos leitores de Época
Revista Época
A fonte da juventude
(298/2004) Começar de novo
Sem dúvida a indústria de cosméticos tem propiciado verdadeiros milagres, apesar dos riscos. Entretanto, muitos se esquecem de que o verdadeiro rejuvenescimento vem da mente e das atitudes, o que fazem é retardar o envelhecimento com fórmulas mirabolantes que no futuro não dão garantia contra as seqüelas e as doenças da vida moderna.
ANTONIO AUGGUSTO JOÃO, São Paulo, SP
Judiciário
(298/2004) Juízes sob controle (Miguel Reale Júnior)
Brilhante entrevista do jurista Miguel Reale Júnior, em que fala de maneira precisa, clara e com argumentos importantes sobre os problemas do Judiciário brasileiro. Uma entrevista assim é que mostra quanto ainda é preciso para mudar o Judiciário e torná-lo mais ágil e ao mesmo tempo menos elitista.
JOSÉ PAULO DE RESENDE, Niterói, RJ
O jurista Miguel Reale Júnior foi extremamente infeliz ao dizer que 'o Advogado é, sem dúvida nenhuma, o nascedouro do processo de corrupção do Judiciário'. Miguel nivelou por baixo toda a classe, o que é injusto e ofensivo, sobretudo partindo de um operador do Direito. Disse ainda que sem corrupto não há corruptor. Se um juiz tem boa índole, ao ser interpelado com propostas indecorosas pode e deve dar voz de prisão ao advogado dito corruptor. Se compactua, não merece vestir a toga que ostenta. Assim como a maioria dos juízes é honesta, a dos advogados também o é. Toda a generalização é perigosa e uma maneira simplista de apontar erros. A única opinião razoável do doutor Reale é a do controle externo do Judiciário para vencer o corporativismo e dar transparência aos jurisdicionados e punição aos julgadores criminosos.
PAULO JORGE PLAISANT, Juiz de Fora, MG
Advogo há 17 anos e em todo esse tempo não li uma entrevista tão boa como essa. Realmente Miguel Reale Júnior, jurista refinado, tocou nos pontos principais que causam a injustiça no Brasil: advogados negligentes, imperitos e corruptos; concursos públicos que escolhem jovens juízes 'sabedores de alfarrábios' e ausência do humanismo nos cursos de Direito. Entrevista corajosa e de grande utilidade pública.
PAULO ROGÉRIO JOSÉ, Porto Velho, RO
Rezadeiras
(298/2004) Um santo remédio
Maravilhosa a idéia e aplicação do projeto. Foi uma atitude inteligente associar ciência e fé. Que todos façam o mesmo. Esse ato vale mais que os discursos de governantes e religiosos.
ELOI L. KOLLAR, São Bernardo do Campo, SP
Parabéns a ÉPOCA pelo grande trabalho cultural em nosso país. Agradecemos pela reportagem realizada em nosso município sobre as rezadeiras. Gostaríamos de enfatizar que Maria de Fátima Lima Viana e Tânia Maria Vasconcelos de Morais são enfermeiras e a metodologia aplicada para a capacitação dos rezadores foi baseada no livro Rezas e Soro Salvando Vidas, dos autores Marilyn K. Nations, Adalberto Barreto e Francisca Maria Oliveira.
Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Maranguape, CE
A experiência reuniu o saber da cultura popular das rezadeiras com o saber científico dos médicos e outros profissionais de ensino médio e superior, tendo como impacto a queda brutal da mortalidade infantil. Parabéns ao trabalho de Paloma Cotes e Draulio Joca. A terra de Capistrano de Abreu e de Chico Anysio, além de oferecer grandes nomes para a historiografia e o humor brasileiro, oferece também alternativas viáveis com o jeito e a cara do modo verde de governar.
MARCOS A.O. VIEIRA, Maranguape, CE
Saúde e fitness
(298/2004) Paredão de silicone
A dificuldade de detecção de tumores em mamas com inclusão de próteses de silicone já é bastante conhecida nos meios científicos. Entretanto, com os meios de diagnóstico cada dia mais sofisticados, esse fato tornou-se desprezível, já que as mulheres com implantes passaram a ser examinadas com mais critério e se auto-examinam mais freqüentemente, como apontam dois trabalhos publicados por duas das mais renomadas e conceituadas universidades (Ucla, na Califórnia, com 3 mil mulheres portadoras de implante, e Universidade de Alberta, no Canadá, com 13 mil mulheres com implantes). Nesses Estados constatou-se menor incidência (50%) de câncer mamário nas pacientes com silicone nos seios. Exames periódicos mamográficos devem ser feitos por técnicos habilitados e experientes, com incidências em diferentes ângulos para visualização de todo o parênquima mamário, uma vez que os resultados 'falso negativos para tumor' ocorreram em um porcentual alto de mulheres sem inclusão de silicone (37%).
EVERARDO ABRAMO, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional Rio de Janeiro
Telefonia
(298/2004) Competição fica no papel
Que a telefonia celular no Brasil se expandiu e se popularizou é uma grande verdade, porém é verdade também que a qualidade dos serviços não cresceu na mesma proporção e está muito atrás dessa expansão. As reclamações são constantes e volumosas, não se consegue receber e muito menos fazer ligações. Reclamar para quem? Para a central da operadora e esperar de 20 a 40 minutos para ser muito mal atendido e não ter o problema resolvido. Será que o passo não está sendo maior que a perna?
ALEXANDRE VILELLA, Santa Bárbara d'Oeste, SP
Também caracterizada como uma seção fixa. Desta forma, os comentários, a crônica e até mesmo a resenha estão englobados nessa noção.
Por ser um gênero muito ambíguo, Marques de Melo usa da definição de Rabaça e Barbosa em seu livro, que afirma que coluna é a "seção especializada de jornal ou revista, publicada com regularidade, geralmente assinada, e redigida em estilo mais livre e pessoal do que o noticiário comum. Compõe-se de notas, sueltos, crônicas, artigos ou textos-legendas, podendo adotar, lado a lado, várias dessas formas. As colunas mantêm um título ou cabeçalho constante, e são diagramadas geralmente numa posição fixa e sempre na mesma página o que facilita a sua localização imediata pelos leitores" RABAÇA e BARBOSA, 1978, p. 102.
Antigamente a coluna ocupava um espaço vertical no jornal, hoje já não existe mais essa restrição e os textos de coluna podem ter qualquer formato, mas ainda preservam o tamanho curto e as informações são passadas de forma a mostrar a opinião do escritor. Antes também a coluna era separada por assuntos, podendo ser autores diferentes a cada edição, com o tempo isso muda e ela passa a ser separada por autor, que cria um estilo pessoal de escrita e passa a falar de diversos assuntos.
No jornalismo brasileiro, assim como no norte-americano, dividi-se a coluna em quatros principais tipos:
• Coluna Padrão: é aquela menor, com apenas um parágrafo para cada assunto tratando-o de forma superficial. Ela é dedicada para assuntos que não tem tanta importância.
• Coluna Miscelânia: combinação de prosa e verso,variedade de temas abordados e trata dos assuntos com um pouco de humor e sarcasmo.
• Coluna de Mexericos: é aquela que fala da vida de personalidades famosas, seja artistas de televisão ou até mesmo pessoas da high society.
• Coluna sobre os bastidores da política: trata de assuntos políticos e fala sobre os políticos, o que eles fazem/fizeram ou deixam de fazer.
Resumindo, a coluna relata assuntos atuais e interessantes aos leitores de forma rápida e a mesclar informação e opinião. Ela é levemente persuasiva, expõe os fatos que intensifiquem a sua opinião, fazendo o leitor sentir-se identificado com a opinião do autor. Os profissionais de relações públicas utilizam-se bastante da coluna, por eles precisarem projetar uma boa imagem para o seu cliente, e quanto mais comentado o nome desse cliente, mais conhecido ele fica.
Pela seu conteúdo e forma como é feita ela não se presta à rapidez e exigências da internet. Por isso, a coluna permanece restrita aos jornais e revistas.
Jornalismo Opinativo (José Marques de Melo)
EXEMPLOS:
No site Página Cultural existe alguns colunistas que falam de assuntos diversos do cotidiano. Vale a pena dar uma olhada, e como sendo um site da região talvez você conheça algum colunista.
Por Ana Clara Macedo, Karina Mamede, Mariana Goulart e Nayla Gomes
O que é comentário?
Trata-se de um gênero que mantém vinculação estreita com a atualidade, sendo produzido em cima dos fatos que estão ocorrendo. Ele explica as notícias, seu alcance, suas circunstancias e suas consequências.
Para Eugênio Castelli o comentário é um gênero intermediário entre o editorial e a crônica, porque utiliza o método expositivo do editorial, mas introduz a ironia e o humor da crônica.
Já para Martinéz Albertos o comentário é um editorial assinado.
Comentário x Editorial
Muitas pessoas confundem o comentário com o editorial. Enquanto o editorial se adstringe à emissão de opiniões de fatos de maior importância o comentário cumpre a tarefa de examinar fatos também significativos, mas de maior abrangência, com independência em relação com à linha editorial. No comentário sua técnica de realização é mais livre que a do editorial e raramente ele é conclusivo.
A arte de comentar
Comentar é uma tarefa que pressupõe ancoragem afirmativa e perspectiva histórica. Os comentaristas são geralmente jornalistas experientes, possuidores de uma vasta bagagem cultural sobre determinado assunto e atuam como líderes de opinião. O comentarista tem que ser muito bem informado para julgar os acontecimentos com rapidez e prever seus desdobramentos. Nem sempre este profissional emite suas opiniões de forma explicita, seu julgamento é percebido pelo raciocínio que utiliza, pelos rumos de sua argumentação.
Através do comentário o cidadão sente-se curioso em saber um pouco mais sobre os fatos e o desenrolar das histórias.
Breve histórico
O comentário foi introduzido recentemente no Brasil, historicamente ele surge na década de 50, porém após o golpe de 1964 observa-se um declínio deste gênero. Os principais comentaristas da época foram cassados, acuados ou amedrontados. O Brasil vive um período de censura ostensiva (se a própria notícia não merecia veracidade, então não valia a pena ler seus comentários).
Com a valorização do futebol como válvula de escape nacional o comentário esportivo floresce nos jornais, revistas especializadas e principalmente no rádio. Em 1975 alguns jornais adotam a iniciativa de comentar acontecimentos a partir de diferentes ângulos geográficos, em que os comentaristas observam a vida política.
Outra inovação foi o comentário econômico, pela significação cada vez maior que a economia assumia no quadro da modernização nacional. Do jornal o comentário ganha a televisão e nela seu espaço fica garantido nos assuntos internacionais, mas nunca chega a atingir um padrão ideal para o comentário televisivo.
Foi porém no rádio que o comentário encontrou sua maior expressão no jornalismo brasileiro contemporâneo. Nos últimos anos, depois da anistia, das eleições diretas para governadores, do aguçamento da crise econômica, quando toda a sociedade civil despertou para os problemas nacionais, o comentário ganhou enorme espaço nas emissoras de rádio e adquire pouco a pouco a sua identidade, enquanto o gênero que se liberta da expressão elaborada, apreendendo o sentido dos acontecimentos por intermédio de uma linguagem descontraída, natural, espontânea.
Estas informações foram retiradas do tópico 3 do capítulo 4 (p. 41-72) do livro de Marques de Melo: “Jornalismo opinativo: gêneros opinativos brasileiro”.
Exemplos de Comentário
Acabou a brincadeira
15ª rodada do Brasileirão. A janela fechou, a Libertadores e a Copa do Brasil acabaram, o Brasileiro enfim pegou no breu. Que rodada! Dá vontade até de arriscar alguns palpites futurologistas, mesmo sabendo que o primeiro turno ainda nem terminou.
Para fazer a projeção, o desafio aqui é unir os pontos da tabela com a capacidade de crescimento de cada uma das 12 equipes. Sim, 12 equipes. Os 12 grandes (de mais torcida e mais dinheiro) que lutam sempre pelo título nacional: os quatro de São Paulo, os quatro do Rio, os dois de Minas e os dois do Sul.
Temos evidentemente um favorito. O líder Fluminense. Este, une a quantidade de pontos conquistados com a perspectiva de melhora de rendimento em campo. Deco está entrando agora no time, que em breve receberá de volta Fred e Belletti. Tem de tudo para jogar ainda mais.
Pelo que fizeram nesses oito meses de 2010, Santos e Inter (os dois que têm um jogo a menos que os demais) teriam condições de incomodar o Fluminense. Nem perderam tantos jogadores assim após os títulos da Copa do Brasil e da Libertadores, mas a tendência natural é um relaxamento com a Libertadores de 2011 já garantida. Não acredito neles.
Quem mais então pode desafiar o Flu? O Corinthians, em tese, seria o principal adversário. Mas não se reforçou muito após a Copa do Mundo e ainda está se adaptando ao seu novo treinador. Está mais para brigar pela Libertadores.
E a lista de concorrentes ao torneio sul-americano é grande. Cruzeiro (com Montillo), Botafogo (com Maicosuel), Vasco (com Felipe), Flamengo (com Deivid) e, sobretudo, Palmeiras (com Felipão, Kléber e Valdívia) se reforçaram bem no pós-Copa e devem melhorar em breve.
O Atlético-MG seguiu o mesmo caminho dos grandes investimentos, mas demorou muito a decolar. Pode ser tarde demais.
Restariam, entre os grandes, Grêmio e São Paulo. Os dois preservaram seus cofres, trocaram de treinadores recentemente e vão depender demais da camisa pesada que têm para chegar entre os primeiros. Pouco provável …
por Arnaldo Ribeiro, redator-chefe da Revista Placar.
Texto retirado do Blog do Arnaldo.SPFW: Verão 2011 - Glória Kalil comenta o último dia
| http://www.youtube.com/watch?v=iXxiwoRgRnY&feature=player_embedded |
por Glória Kalil, jornalista, empresária e consultora de moda. Autora do site Chic.
Vídeo retirado do site Chic. http://chic.ig.com.br/tv-chic/em-gloria-fala-sobre-o-dia-6-do-spfw-verao-2011
Emmys 2010: Celebrando o triunfo da TV
O que achei mais interessante nos Emmys, ontem – além de "Born to Run" estilo Glee e George Clooney na cama com Cameron e Mitchell de Modern Family – foram as sucessivas alfinetadas da festa na sua irmã mais velha, a industria do cinema. A melhor de todas veio em off enquanto Mick Jackson se erguia, radiante de felicidade, para aceitar seu Emmy de diretor/telepic por Temple Grandin e a narração enumerava alguns títulos de seu vasto currículo _ Volcano! The Bodyguard! – só para concluir “mas onde ele poderia fazer a história de uma mulher com autismo em sua jornada para descobrir o mundo?” Todo mundo no Nokia Theater sabia a resposta, reforçada muitas vezes ao longo da noite: hoje, só na TV. (Teria sido mais justo para com Jackson lembrar que ele também dirigira o lírico LA Story e a série Traffic, da TV britânica, que deu origem ao filme de Soderbergh. Mas aí seria menos dramático..)
Os muitos e merecidos “obrigados” à HBO estabeleceram para o público o que a indústria já sabe – que quando se trata de produção de conteúdo audiovisual de qualidade superior o canal premium é o líder , e tem o mesmo peso que, num passado não muito distante, era reservado para independentes como United Artists, Orion ou Miramax. “Não existe modelo financeiro para uma série de oito episódios sobre a Guerra do Pacífico, mas mesmo assim a série foi feita”, disse Tom Hanks aceitando o seu Emmy pela vitoriosa The Pacific.
Se ainda havia dúvidas (e ainda há?) de que a TV, hoje, é a alternativa concreta para um tipo de produção que o cinema está ao ponto de desaprender como fazer: narrativas fortes com personagens bem delineados, histórias humanas (mesmo quando são sobre-humanas. Dever de casa: quais as principais diferenças entre Crepúsculo e True Blood?), ousadia de temas (metanfetamina! Eutanásia! Autismo! Direitos civis plenos para todas as opções sexuais!), os Emmys deste ano foram a resposta final.
É uma reversão completa do estado de coisas e da visão que a industria do cinema tinha da TV – ela era a prima pobre, a coitada, boa apenas para talentos medíocres, produções apressadas e ideias rasteiras e eternamente recicladas. Agora…. Não sei não, mas parece que nesta última frase eu descrevi 90% do que vi saindo dos grandes estúdios nos últimos 14 meses.
por Ana Maria Bahiana. Jornalista, escritora e autora do blog Hollywoodianas.
Texto retirado do blog Hollywoodianas. http://anamariabahiana.blog.uol.com.br/arch2010-08-29_2010-09-04.html#2010_08-30_18_13_00-135740537-0
Arnaldo Jabor faz perspectivas para o governo Lula em 2010
| http://www.youtube.com/watch?v=hhWhiRRebKs |
por Arnaldo Jabor cineasta, crítico e escritor brasileiro. Arnaldo comenta as principais notícias no Jornal da Globo.
Por: Angélica Guimarães, Deisiane Cabral, Maria Tereza Borges, Sabrina Tomaz, Valquíria Amaral
Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos.
Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada.
Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena.
Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da
tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente.
De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.
Qual é? Morrer é um cliche.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas
cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e
morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito.
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo.
Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.
Só que esta não tem graça.
Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada.
Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena.
Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da
tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente.
De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.
Qual é? Morrer é um cliche.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas
cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e
morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito.
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo.
Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.
Só que esta não tem graça.
Estamos com fome de amor
Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes.
Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer... mas???
Chegam sozinhas e saem sozinhas...
Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos...
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível.E não é só sexo não!
Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer... mas???
Chegam sozinhas e saem sozinhas...
Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos...
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível.E não é só sexo não!
Se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida?
Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo!
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama ... sexo de academia . . .
Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos,
sem se preocuparem com as posições cabalisticas...
Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção...
Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós...
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!"
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos...
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário...
Pra chegar a escrever essas bobagens?? (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa...
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, famílias preconceituosas...
Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados...
Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado...
"Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor...
Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...
Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem haver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida...
E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois...
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza ? Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?" Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado...
O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in...
Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos...
Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"...
Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo", então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz!
Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!
Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo!
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama ... sexo de academia . . .
Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos,
sem se preocuparem com as posições cabalisticas...
Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção...
Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós...
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!"
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos...
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário...
Pra chegar a escrever essas bobagens?? (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa...
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, famílias preconceituosas...
Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados...
Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado...
"Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor...
Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...
Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem haver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida...
E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois...
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza ? Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?" Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado...
O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in...
Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos...
Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"...
Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo", então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz!
Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!
Arnaldo Jabor
Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender
1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.
2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.
3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.
4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.
5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.
6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.
7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".
8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".
9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.
10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.
Por Augusto Ikeda, Lucas Martin, Renato Faria e Vanessa Duarte
O seguinte texto tem como referência o livro "Jornalismo Opinativo" de Jose Marques de Melo
O editorial é o gênero jornalístico que expõe a opinião oficial da empresa perante aos acontecimentos de maior eco no momento. Entretanto, a sua origem de porta-voz do jornalismo necessita ser melhor compreendida e demarcada. Ele é mais conhecido por conter a opinião do dono ou da emissora de radiodifusão.
É importante ressaltar que o editorial não reproduz precisamente a opinião dos seus proprietários nominais, mas o consentimento das opiniões que derivam dos diversos meios que participam da característica da organização. Está voltado à coletividade, pois a opinião presente em um editorial compõe um índice que deseja orientar a opinião pública.
Podemos pensar em quatro características exclusivas do editorial: 1) Impessoalidade, pois ele geralmente não possui assinatura e faz o uso da terceira pessoa do singular ou da primeira do plural; 2) topicalidade, porque delimita um tema, por mais que esse tema não tenha aclamação pública; 3) condensalidade, pois é constituído de poucas idéias e procura dar uma maior exaltação às afirmações que às experiências e 4) plasticidade, porque um editorial procura ser maleável.
Em relação à produção dos editoriais, existe uma atenção especial que pressupõe total integração entre as políticas da empresa e os interesses corporativos que protegem. Qualquer editorial, numa enorme empresa jornalística, passa por um delicado processo de avaliação dos fatos, de verificação dos dados, de conferimento das fontes.
“O editorial do jornal hodierno tem emergido como uma forma jornalística peculiar. Seu primo literário mais próximo é o ensaio. Mas o editorial difere do ensaio, em sua brevidade e também porque insiste em sua natureza contemporânea”, ressalta Fraser Bond. (MARQUES DE MELO, 2003, p.107).
Ao fazer a leitura de um editorial podemos perceber que os órgãos jornalísticos têm como objetivo mostrar aos encarregados do aparelho burocrático do Estado como gostariam de propor os assuntos públicos.
CURIOSIDADE:
Por que o leitor brasileiro rejeita o editorial?
Alan Viggiano (Poeta, ensaísta, pesquisador, escritor e defensor da Língua Portuguesa) mostra alguns motivos:
1) O editorial é massudo (maciço, não possui subtítulos, tem poucos parágrafos e é bastante intelectual);
2) É voltado para uma determinada classe de leitores que abriga empresários e políticos;
3) Não é valorizado, pois está isolado das matérias que abordam os mesmos temas de maneira informativa;
4) Não atinge o leitor, porque o tema apresentando, muitas vezes, não diz respeito a realidade específica do público.
Exemplos de editoriais:
Intimidação e má-fé
Bispos da Igreja Universal do Reino de Deus desencadeiam, contra os jornais "Extra", "O Globo", "A Tarde" e esta Folha, uma campanha movida pelo sectarismo, pela má-fé e por claro intuito de intimidação.
Em dezembro, a Folha publicou reportagem da jornalista Elvira Lobato descrevendo as milionárias atividades do bispo Edir Macedo. Logo surgiram, nos mais diversos lugares do país, ações judiciais movidas por adeptos da Igreja Universal que se diziam ofendidos pelo teor da reportagem.
Na maioria das petições à Justiça, a mesma terminologia, os mesmos argumentos e situações se repetiam numa ladainha postiça. O movimento tinha tudo de orquestrado a partir da cúpula da igreja, inspirando-se mais nos interesses econômicos do seu líder do que no direito legítimo dos fiéis a serem respeitados em suas crenças.
Magistrados notaram rapidamente o primarismo dessa milagrosa multiplicação das petições, condenando a Igreja Universal por litigância de má-fé. Prosseguem, entretanto, as investidas da organização.
Não contentes em submeter a repórter Elvira Lobato a uma impraticável seqüência de depoimentos nos mais inacessíveis recantos do país, os bispos se valeram da rede de televisão que possuem para expor a pessoa da jornalista, no afã de criar constrangimentos ao exercício de sua atividade profissional.
É ponto de honra desta Folha sempre ter repelido o preconceito religioso. A liberdade para todo tipo de crença é um patrimônio da cultura nacional e um direito consagrado na Constituição. A pretexto de exercê-lo, porém, os tartufos que comandam essa facção religiosa mal disfarçam o fundamentalismo comercial que os move. Trata-se de enriquecimento rápido e suspeito --e de impedir que a opinião pública saiba mais sobre os fatos.
Não é a liberdade para esta ou aquela fé religiosa que está sob ataque, mas a liberdade de expressão e o direito dos cidadãos à verdade.
(Folha de S. Paulo, 19/02/08)
01/09/2010 – Jornal Agora Online
Cigarros apagados
É uma boa notícia que nos últimos 20 anos a fatia de fumantes da população brasileira tenha caído praticamente pela metade.
Em 1989, 33% dos que tinham mais de 18 anos fumavam. Hoje a parcela é de 18%, pouco mais de 25 milhões de pessoas.
Os homens continuam fumando mais do que as mulheres. Na faixa de idade de 15 a 24 anos, para cada mulher, há 2,5 homens chegados num cigarrinho.
A pesquisa também mostra que as mulheres começam a fumar mais cedo. Mas elas abandonam o vício antes dos homens. Segundo os especialistas, a gravidez deve ser a principal explicação para isso.
É natural que a quantidade de fumantes seja maior entre pessoas mais velhas, de 45 a 64 anos. Tempos atrás os brasileiros eram bombardeados com propaganda de cigarro na TV e demais meios de comunicação.
Associado a pessoas bonitas, bem-sucedidas, que praticam esportes, fumar era considerado um hábito até charmoso.
Os males, porém, foram demonstrados pela ciência. E em diversos países os governos passaram a adotar restrições ao fumo.
A publicidade foi proibida, as embalagens foram obrigadas a trazer alertas sobre os riscos do tabaco, impostos aumentaram o preço do maço e as áreas públicas livres para o fumo foram diminuídas.
É claro que não cabe ao governo proibir o cidadão de consumir seu cigarro. Tudo tem limite.
O problema é que a fumaça faz mal aos outros. E os custos com atendimento na rede pública aumentam com o uso do tabaco. Por isso é certa a ideia de proibir o fumo em áreas coletivas e vetar incentivos ao consumo.
Editorial de ‘O Globo’ sobre a Lei de Biossegurança
Editorial de ‘O Globo’ sobre a Lei de Biossegurança
Comparado com o projeto proibitivo que veio originalmente da Câmara, o novo texto da Lei de Biossegurança é um importante passo à frente.
Dificilmente a Câmara dos Deputados conseguirá aprovar a curto prazo a Lei de Biossegurança que precisa votar por ter sido modificada no Senado.
É muito longa a pauta de projetos à espera de apreciação: além de outras importantes leis, há projetos de emendas constitucionais e uma série de medidas provisórias, que trancam a pauta.
Mas, com tudo isso, é importante que os deputados tenham consciência da necessidade de conceder aos cientistas brasileiros, o mais rapidamente possível, a liberdade de que eles necessitam para desenvolver pesquisas na área das células-tronco embrionárias.
Embora seja este um novo campo de investigação, já está fazendo surgir aplicações práticas concretas, que demonstram seu potencial curativo fantasticamente promissor.
Não é por outro motivo que os eleitores da Califórnia aprovaram a emenda 71, que destina US$ 3 bilhões às pesquisas com células-tronco, causa defendida com veemência por seu governador, o mais do que conservador Arnold Schwarzenegger.
O caso chama a atenção porque o ex-ator, ao contrário de outros republicanos (como Ron Reagan, cujo pai sofria do mal de Alzheimer), não tem interesse pessoal no desenvolvimento de tratamentos médicos para doenças degenerativas hoje incuráveis.
Apenas o convívio com pessoas como o recentemente falecido Christopher Reeve, que ficou tetraplégico após um acidente, ou Michael J. Fox, que sofre do mal de Parkinson, parece ter sido suficiente para convencer Schwarzenegger de que é fundamental apoiar a pesquisa.
O projeto que retornou do Senado ainda inclui graves restrições à ciência, como a limitação das pesquisas às células de embriões congelados há pelo menos três anos nas clínicas de fertilização — embriões descartados que, com qualquer tempo de congelamento, vão acabar no lixo.
Também algum dia será preciso admitir a clonagem com fins terapêuticos, hoje vedada, e que é particularmente promissora.
Ainda assim, comparado com o projeto proibitivo que veio originalmente da Câmara, o novo texto da Lei de Biossegurança é um importante passo à frente. Merece ser apreciado com rapidez e aprovado pelos deputados.
Mas, com tudo isso, é importante que os deputados tenham consciência da necessidade de conceder aos cientistas brasileiros, o mais rapidamente possível, a liberdade de que eles necessitam para desenvolver pesquisas na área das células-tronco embrionárias.
Embora seja este um novo campo de investigação, já está fazendo surgir aplicações práticas concretas, que demonstram seu potencial curativo fantasticamente promissor.
Não é por outro motivo que os eleitores da Califórnia aprovaram a emenda 71, que destina US$ 3 bilhões às pesquisas com células-tronco, causa defendida com veemência por seu governador, o mais do que conservador Arnold Schwarzenegger.
O caso chama a atenção porque o ex-ator, ao contrário de outros republicanos (como Ron Reagan, cujo pai sofria do mal de Alzheimer), não tem interesse pessoal no desenvolvimento de tratamentos médicos para doenças degenerativas hoje incuráveis.
Apenas o convívio com pessoas como o recentemente falecido Christopher Reeve, que ficou tetraplégico após um acidente, ou Michael J. Fox, que sofre do mal de Parkinson, parece ter sido suficiente para convencer Schwarzenegger de que é fundamental apoiar a pesquisa.
O projeto que retornou do Senado ainda inclui graves restrições à ciência, como a limitação das pesquisas às células de embriões congelados há pelo menos três anos nas clínicas de fertilização — embriões descartados que, com qualquer tempo de congelamento, vão acabar no lixo.
Também algum dia será preciso admitir a clonagem com fins terapêuticos, hoje vedada, e que é particularmente promissora.
Ainda assim, comparado com o projeto proibitivo que veio originalmente da Câmara, o novo texto da Lei de Biossegurança é um importante passo à frente. Merece ser apreciado com rapidez e aprovado pelos deputados.
(05/11/09)
“O exemplo do mel”: Confira Editorial do Jornal O Dia desta segunda-feira (30)
A notícia de que o Piauí é o quarto maior exportador de mel do Brasil parece um bálsamo em meio à preocupante tormenta que assola nosso noticiário econômico nos últimos tempos. Seguidamente, nossas manchetes estampam quedas repetidas no FPM e FPE, o que assusta quando temos que convir que boa parte da economia piauiense ainda anda a reboque da máquina estatal. Embora essa boa notícia seja música para os ouvidos e olhos impregnados pela crise econômica mundial que resvala nos grandes e pequenos, ricos e pobres, é preciso ponderar que o desempenho na exportação do mel não é assim tão bom assim. No ano passado, o Piauí era o segundo maior exportador de mel do Brasil.
Tudo bem que somente em março a União Européia, que é o principal consumidor do nosso mel, suspendeu um embargo imposto em 2004. Mesmo assim, temos um bom caminho a percorrer até retomar a expressividade que nossa apicultura merece. Afinal, a média nacional de produção é de 16 quilos por colméia ao ano, um desempenho fraco se comparado às nossas colméias, que chegam a produzir 30 quilos por ano, conforme matéria da repórter Mayara Bastos, publicada nesta edição, na editoria de política. E é esse mesmo o tratamento que precisamos dar a notícias como essa a de cunho político, uma vez que precisamos superar a escravidão da nossa economia aos fundos e repasses federais. Nos municípios piauienses existem mais de 100 associações de apicultores e pelo menos 20 cooperativas isoladas, mas esse número poderia ser bem maior. Por que não explorar a força de um negócio não só ecologicamente autosustentável, mas que, pelas especificidades do nosso clima e flora, nos torna referência no Brasil e no mundo? Além da apicultura, a castanha de caju é um produto que tem possibilidade de crescimento muito grande na nossa balança exportadora, mas é preciso que aprendamos a deixar de exportar produtos sem nenhum valor agregado, produtos basicamente em natura.
O Piauí tem mentes brilhantes o suficiente para agregar valor a qualquer produto e enviar às prateleiras dos supermercados de países ricos um produto acabado. Assim, reduzindo a cadeia de atravessadores, sobrariam mais recursos para nossa agroindústria. Não se combate crises com lamentações e choramingos, a saída é e sempre foi a criatividade, a superação. Então, nada melhor do que adoçar nossas páginas, nossos olhos e mentes com as alvissareiras notícias do mel.
Tudo bem que somente em março a União Européia, que é o principal consumidor do nosso mel, suspendeu um embargo imposto em 2004. Mesmo assim, temos um bom caminho a percorrer até retomar a expressividade que nossa apicultura merece. Afinal, a média nacional de produção é de 16 quilos por colméia ao ano, um desempenho fraco se comparado às nossas colméias, que chegam a produzir 30 quilos por ano, conforme matéria da repórter Mayara Bastos, publicada nesta edição, na editoria de política. E é esse mesmo o tratamento que precisamos dar a notícias como essa a de cunho político, uma vez que precisamos superar a escravidão da nossa economia aos fundos e repasses federais. Nos municípios piauienses existem mais de 100 associações de apicultores e pelo menos 20 cooperativas isoladas, mas esse número poderia ser bem maior. Por que não explorar a força de um negócio não só ecologicamente autosustentável, mas que, pelas especificidades do nosso clima e flora, nos torna referência no Brasil e no mundo? Além da apicultura, a castanha de caju é um produto que tem possibilidade de crescimento muito grande na nossa balança exportadora, mas é preciso que aprendamos a deixar de exportar produtos sem nenhum valor agregado, produtos basicamente em natura.
O Piauí tem mentes brilhantes o suficiente para agregar valor a qualquer produto e enviar às prateleiras dos supermercados de países ricos um produto acabado. Assim, reduzindo a cadeia de atravessadores, sobrariam mais recursos para nossa agroindústria. Não se combate crises com lamentações e choramingos, a saída é e sempre foi a criatividade, a superação. Então, nada melhor do que adoçar nossas páginas, nossos olhos e mentes com as alvissareiras notícias do mel.
A resenha é um gênero textual em que se propõe a construção de relações entre as propriedades de um objeto analisado, descrevendo-o e enumerando aspectos considerados relevantes sobre ele. No gênero jornalístico, o que se convencionou chamar de resenha corresponde a uma apreciação das obras de arte ou dos produtos culturais, com a finalidade de orientar a ação dos fruidores ou consumidores. É um texto de origem opinativa que se caracteriza por ser um comentário breve e que, portanto, reúne comentários de origem pessoal e julgamentos do resenhador sobre o valor do que é analisado.
A classificação de Fraser Bond fundamenta-se no método de apreciação utilizado pelo crítico. A resenha clássica considera a nova obra-de-arte, relacionando-a com os padrões tradicionalmente estabelecidos; a diferença entre relatorial e panorâmica está em que a primeira é descritiva e a segunda emprega uma perspectiva histórica; por sua vez, a crítica impressionista considera a obra à luz do efeito que faz do ser humano sensível que é o crítico.
O caráter da resenha pode ser apreendido na lista de funções que Todd Hunt lhe atribuiu: informa proporcionando conhecimento sobre o que está circulando no mercado, falando sobre a natureza e a qualidade das obras comercializadas; eleva o nível cultural despertando muitas vezes senso crítico para o seu proveito; reforçar a identidade comunitária descobrindo as especialidades geoculturais em produtos que possuem destinação massiva; aconselha como empregar melhor os recursos dos consumidores fazendo-os recusar produtos de baixa qualidade; estimula e ajuda os artistas; define o que é novo e distingue os produtos tradicionais dos lançamentos que fogem à tendência; documenta para a história e diverte.
Segundo Afrânio Coutinho, a crítica exige métodos e critérios que tornam o seu resultado incompatível com o exercício periódico e regular em jornal, e mais incompatível com o próprio espírito do jornalismo, que é informação, ocasional e leve. Enquanto isso, a crítica exige métodos e critérios que tornam o seu resultado incompatível com o exercício periódico e regular em jornal, e mais incompatível com o próprio espírito do jornalismo, que é informação, ocasional e leve.
Na verdade, o termo resenha ainda não se generalizou no Brasil, persistindo o emprego das palavras crítica para significar as unidades jornalísticas que cumprem aquela função e crítico para designar quem as elabora.
A resenha é hoje exercida, no Brasil, por jornalistas que desempenham (ou já fizeram isso no passado) atividades vinculadas ao campo privilegiado de análise, o que os torna competentes para esse trabalho. Historicamente, a apreciação dos produtos culturais começa na imprensa brasileira pelas áreas artísticas tradicionais: literatura, música, teatro e artes plásticas. Hoje ela não mais se limita ao jornal diário, às revistas semanais, tendo hoje uma presença relativa no rádio e na televisão, aonde vem sendo desenvolvida nos programas voltados para a informação cultural.
Fonte: Jornalismo Opinativo: Gêneros Opinativos no Jornalismo Brasileiro. José Marques de Melo.
Amanda Pereira e Patrícia Alves.
Exemplos de Resenha Jornalística
André Barcinski,é crítico da Folha, diretor e produtor do programa "O Estranho Mundo de Zé do Caixão", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.
Karate Kid, ou por que filmes são tão ruins?
No início de 1980, a crítica de cinema da revista The New Yorker, Pauline Kael, escreveu um artigo premonitório: “Por que os Filmes são Tão Ruins? Ou, os Números”. Separei algumas frases aqui:
“Filmes são tão ruins ultimamente que eu não acho que eles estejam atraindo o público, acho que eles estão herdando um público.”
“Os estúdios acreditam que bons resultados de bilheteria são prova de que os espectadores gostam dos filmes, assim como executivos de TV acreditam que os programas de maior audiência são os que o público quer, e não os que o público aceita.”
“Há várias razões pelas quais filmes são tão ruins hoje em dia e provavelmente continuarão a ser ruins pelos próximos anos, e a maior delas é que muitos filmes ruins estão fazendo dinheiro.”
Corta para 2010. Trinta anos se passaram, e nada mudou.
Amanhã estréia “Karate Kid”, refilmagem de um grande sucesso dos anos 80.
Se fosse viva, aposto que Kael escreveria: “Por que os filmes continuam tão ruins?”
O artigo de Kael não envelheceu um dia. Filmes continuam ruins, pelas mesmas razões que ela antecipava:
“Estúdios não fazem filmes primordialmente para satisfazer ao público; eles fazem filmes para lucrar o máximo possível com acordos e contratos pré-arranjados.” (não é isso que acontece hoje, com sequências, refilmagens, venda de merchandising e produtos relacionados?)
“Há um lado ainda mais sombrio nisso tudo: como os estúdios descobriram como tirar o risco de fazer filmes, ninguém mais quer fazer filmes sobre o qual eles não possam ter total controle (...) a indústria tem medo, pânico até, de projetos considerados arriscados.”
Assisti a “Karate Kid” essa semana. O filme tem Jaden Smith, filho do überastro Will Smith, no papel que foi de Ralph Macchio no original. A história é igualzinha, exceto pelo fato de ser passada na China.
O filme é de uma imbecilidade anestesiante. Um festival de clichês. Será que estamos nos acostumando a ser anestesiados assim?
A questão é mais profunda: por que filmes ruins fazem sucesso? Seria porque o público, submetido a anos e anos de dramaturgia televisiva de quinta, está tão habituado a engolir clichês que não consegue absorver nada diferente? Seria o “ruim” o novo “bom”? Mudaram os padrões?
Uma coisa é certa: os estúdios aperfeiçoaram tanto suas estratégias de marketing e pesquisa que conseguem prever, com incrível índice de acerto, o resultado financeiro de filmes mesmo antes do lançamento.
Filmes não são mais filmes, são projetos de marketing. Junte astro “x” com astro “y”, use um tema “w”, lance em tantas salas na data programada, e bingo!
Não importa que o filme não preste. O público médio não dá mais atenção a críticos e nem tem capacidade de distinguir entre crítica e publicidade.
É só fazer uma avalanche arrasadora de anúncios e spots de TV. Quando o público perceber que o filme não presta, já será tarde demais: todo mundo já terá deixado seu dinheiro na bilheteria.
A bilheteria, aliás, é o novo parâmetro de qualidade. Hoje, discute-se resultados de bilheteria com mais tesão do que se discute os filmes. Sinal dos tempos.
Fica a dúvida: filmes são ruins porque o público aceita, ou o público aceita filmes ruins porque já não consegue distingui-lo dos bons? Ou seria uma combinação das duas coisas? Aguardemos os próximos capítulos.
Fonte: http://andrebarcinski.folha.blog.uol.com.br/arch2010-08-22_2010-08-28.html
Querido John
Esta é mais uma obra-prima de Nicholas Sparks, igualmente vertida para as telas cinematográficas, sob a direção de Lasse Hallstrom. De seus quinze livros, seis foram adaptados para a linguagem do cinema. O romance mais recente a seguir este caminho é A Última Música, que tem estreia marcada para junho.
Em Querido John o jovem indomado John Tyree ingressa nas Forças Armadas, depois de uma longa e difícil convivência com o taciturno pai. Aliviado por sair de casa, ele vê o mundo se desdobrar diante de si, com milhares de novas perspectivas, antes ausentes de sua existência.
Ao aproveitar sua primeira licença em visita ao pai, em Wilmington, ele conhece Savannah Lynn Curtis, depois de um incidente com sua bolsa, a qual ele resgata e, depois de posar como herói, é convidado pela garota a se juntar ao seu grupo de amigos, em um churrasco. Um vínculo instantâneo se estabelece entre ambos e eles não conseguem mais ficar distantes um do outro.
Mas o tempo passa e, apesar de acreditar ter encontrado a mulher de sua vida, John é obrigado a retornar para o Exército, após duas semanas de intenso relacionamento afetivo. Savannah promete esperar sua volta, depois do término das obrigações com as Forças Armadas.
O que os dois amantes não podem imaginar é que um único dia e os terríveis eventos que ele testemunha, o fatídico 11 de setembro, quando os Estados Unidos sofrem um inesquecível atentado terrorista, mudará tudo também em suas vidas. Entre o que sente pela mulher amada e as dívidas que assume, a partir de então, com seu país, John é obrigado a fazer uma escolha que pode abalar definitivamente seu relacionamento com Savannah.
O jovem se alista por mais dois anos e o intercâmbio de cartas entre ele e a amada vai adquirindo uma tonalidade menos apaixonada, e as mensagens vão se espaçando, o que pode levar ambos a crer que a conexão entre eles não é intensa o suficiente para transcender o tempo e o espaço e mantê-los unidos.
Ao contrário das histórias de amor tradicionais, John e Savannah não são exatamente almas gêmeas, o que não os impede de constituir uma dupla admirável. Com o tempo, porém, as distinções entre eles ganham força, impulsionadas pela distância. O enredo atinge o ápice quando ele, o jovem rebelde e às vezes rude, recebe uma carta definitiva da garota espontânea e cheia de sonhos. Esta última mensagem pode mudar tudo entre eles. Não é difícil para o leitor, nesse entremeio, se identificar com alguns dos personagens.
Nicholas Sparks reside hoje na Carolina do Norte com a esposa e cinco filhos, depois de atravessar sua juventude em Fair Oaks, na Califórnia. Seu primeiro livro, O Diário de Uma Paixão, também transformado em filme, transformou-se logo em sucesso de público. Seu padrão de romance ideal é o clássico Casablanca, de Michael Curtiz. Querido John, no cinema, é protagonizado por Channing Tatum e Amanda Seyfried.
Autora: Ana Lucia Santana
Fonte: http://www.infoescola.com/livros/querido-john/
Hairspray
Com muito bom humor, a montagem brasileira de um dos mais bem sucedidos musicais da Broadway chega a metade de sua temporada em São Paulo, que assim como a temporada carioca, é sucesso de crítica e público! O espetáculo, que se passa nos anos 60, conta a história da pequena – gordinha – e amável Tracy Turnblad, dona de um grande penteado e de um grande coração, que sonha em ser dançarina do programa de TV que é a sensação do momento, o Corny Collin’s Show. Ela consegue, e acaba tendo que disputar com Amber Von Tussle (estrela da atração e filha da produtora) o posto de Miss Hairspray e também, o coração do galã Link, namorado de Amber.
A direção é de Miguel Falabella. Se isto não é suficiente para te convencer a assistir “Hairspray”, – que se apresenta em São Paulo somente até o dia 11/04 – motivos não faltam. Além de ter grandes nomes no elenco, como Edson Celulari, Arlete Salles e Danielle Winits, o musical revela grandes talentos. Simone Gutierrez (que faz a protagonista Tracy Turnblad) canta, dança e interpreta brilhantemente seu papel, sendo o grande trunfo do espetáculo. Graça Cunha, também dá um show de canto e interpretação na música “Grande Loura e Linda”, um dos pontos altos do espetáculo, ao lado de “Mamãe, acorda! Eu já cresci!” e “Bemvinda aos anos 60”.
Apesar de ser uma atriz talentosa e contracenar com um elenco de primeira, Arlete Salles parece não ter deixado por completo a Copélia, de “Toma Lá, Dá Cá”. É impossível assistí-la como Velma sem se lembrar de Copélia… talvez por ter sido uma personagem que lhe deu muito destaque, talvez por um “pode ser” de Miguel Falabella, que também dirigiu Arlete no humorístico da Globo. À direita, Arlete Salles é Velma Von Tuslle; À esquerda, Edson Celulari como Edna Turnblad O que mais impressiona na montagem de Falabella é o dinamismo. São 40 trocas de cenário e mais de 350 figurinos diferentes. Todas essa “festa” que o espectador vê no palco acontecem com muita harmonia, sem prejudicar o “todo” do espetáculo.O palco do Teatro Bradesco, maior do que o das outras casas em que a peça esteve, não obriga o elenco a se espremer em cena, e assim, favorece essas trocas e dá um “Q” de beleza a mais ao espetáculo.
Os efeitos especiais também são destaques na peça: um enorme painel de LED no fundo do palco, laquês (pequenos, médios e gigantescos), confetes e, principalmente, a qualidade dos figurinos, deixam claro que “Hairspray” é uma superprodução. Com certeza, imperdível!
Fonte: http://gabrieljusto.com/blog/teatro/critica-hairspray/
Ana Flávia Bernardes dos Santos, Bruna Isa Ribeiro Sanchez



















